Blog Quero me Formar — Organização & Finanças: Quais São os Tipos de Risco em Investimentos e Como Se Proteger Deles

16 de maio de 2020

Quais São os Tipos de Risco em Investimentos e Como Se Proteger Deles

Os investimentos estão sujeitos a pelo menos 4 tipos de risco. Conheça quais são os principais riscos inerente aos investimentos e como se proteger deles nas suas aplicações!

Quais São os Tipos de Risco em Investimentos e Como Se Proteger Deles

A maioria das pessoas deixa de investir por acreditar em dois grandes mitos sobre investimentos:

"Investir é para os ricos"
"Investir é muito arriscado"

Quanto ao primeiro mito, já mostrei aqui no blog como investir com segurança e custo zero e também publiquei 4 opções de investimentos com pouco dinheiro, logo, eu espero que você já tenha descartado essa crença limitante de investir é apenas para quem muito dinheiro.

Quanto ao segundo, é o que vamos falar neste artigo, cujo assunto é quais são os riscos inerentes aos investimentos e como se proteger deles, sejam aplicações de renda fixa ou variável.

Existem, sim, riscos que afetam os investimentos, assim como estamos praticamente todas as coisas que fazemos na vida têm riscos;

Dessa forma, não é plausível deixar de investir pela existência de riscos e quanto mais você souber sobre isso e sobre o que está fazendo, menos você estará sujeita a perder dinheiro.

Conhecimento e responsabilidade são as chaves para investir com segurança!

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ATENÇÃO: ESTE ARTIGO NÃO É UMA INDICAÇÃO. CONTEÚDO MERAMENTE INFORMATIVO.
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Quais São os Tipos de Risco em Investimentos e Como Se Proteger Deles


Quando se fala em investimentos, muitas pessoas têm inúmeras críticas a fazer sobre a bolsa de valores, investidores, influencers de finanças e tudo aquilo que elas não compreendem — ou ainda não estão prontas para compreender.

Se o assunto é bolsa de valores, então, nem se fale! Quantas pessoas não a comparam com um cassino?

A desinformação gera medo e o medo nos paralisa, impedindo-nos de aprender coisas novas e dar um passo à frente em relação aos nossos objetivos.

Dessa forma, vamos esclarecer um ponto crucial que impede muitas pessoas de começar a investir: qual é o risco envolvido nos investimentos?


O que é risco?


Em termos gerais (definição ampla), risco é a probabilidade de insucesso de determinado evento.

Dessa forma, se o objetivo do investimento é multiplicar o seu patrimônio (ganhar mais dinheiro), o insucesso do evento investir é o contrário de ganhar: perder dinheiro — seja na rentabilidade (obtendo um retorno abaixo do esperado) ou na quantia inicialmente aplicada.


Quais são os riscos inerentes aos investimentos?


Existem, pelo menos, 4 tipos de risco ao qual nos sujeitamos nos investimentos: 
  1. risco de mercado
  2. risco de crédito
  3. risco de liquidez
  4. risco operacional.

Caso tenha se assustado, não se preocupe tanto com a quantidade desde que você saiba onde está aplicando e consiga se proteger deles.


1. Risco de mercado


Esse tipo de risco em investimentos diz respeito aos fatores externos que afetam o mercado como um todo, como a economia local e global.

Esse risco é percebido principalmente pela oscilações dos preços dos ativos e de indicadores como taxas de juros e câmbio.

Típico exemplo que estamos sentido na pele (ABR/2020) é a pandemia do coronavírus, que impactou negativamente os índices das bolsas de valores de diversos países, bem como as taxas de juros.

Visto que não podemos controlar o que acontece na economia do Brasil e no mundo, é um risco que não está sob o seu controle, mas que ainda é possível se proteger de algumas formas.

Uma maneira é por meio da diversificação na escolha das suas aplicações.

Optando pela diversificação dos seus investimentos tanto no que se refere ao tipo de aplicação (investimentos de renda e variável) quanto entre diferentes tipos do investimento escolhido.

Por exemplo, ao investir em ações é interessante diversificar entre setores e países em que as empresas atuam, enquanto quem investe em fundos pode diversificar entre os tipos de fundos disponíveis.

Outra forma de se proteger é ter a sua reserva de emergência, possibilitando que você passe mais tranquila por uma crise.

Saiba mais como formar a sua reserva de emergência clicando aqui.

Ressalto que esse risco é válido mesmo para aplicações de renda fixa que, se parar para pensar, a renda fixa também pode variar!

Quem aplica na poupança, exemplo, está recebendo uma "rentabilidade" menor do que recebia em dezembro, por exemplo, visto que o rendimento da poupança acompanha a Taxa Selic que também caiu durante a pandemia.


2. Risco de crédito

Os risco de crédito, em investimentos, está relacionado à possibilidade de a instituição em que você aplicou não ter condições de reaver o seu dinheiro aplicado. O famoso "calote".

Uma forma de começar a investir já reduzindo esse risco é consultar o rating de crédito da instituição antes de aplicar.

Esse rating é uma pontuação atribuída à instituição por algumas instituições que elaboram uma classificação de risco para empresas e países, por exemplo, baseada na capacidade dessas entidades em arcar com as suas dívidas.

A classificação vai de AAA (melhorar classificação — menor risco) a D (pior classificação — maior risco).

Dessa forma, antes de aplicar o seu dinheiro, você pode conhecer o grau de risco tanto de um país como de uma instituição por meio do rating de crédito.

Após aplicar, você pode continuar monitorando os ratings relacionados à sua aplicação para conferir se ela mantém a mesma qualidade de crédito (de te devolver o seu dinheiro) de quando você aplicou.

Assim você pode perceber que é mais tranquilo se proteger desse tipo de risco e, ainda, a maioria das instituições financeiras que se popularizaram atualmente já conseguiram se consolidar e possuem uma chance muito pequena de "quebrar".

Não obstante, existem algum sistemas de proteção como o Funo Garantidor de Crédito, que garante algumas aplicações (como poupança, CDB, LCA, LCI, RDB), cujo valor seja de até R$250.000,00 por CPF em instituição financeira. No caso do Tesouro Direto, o título é garantido pelo Governo Federal.

Já na renda variável, você pode se sentir um pouco desamparado mas, na verdade, não está tanto: os títulos da bolsa de valores em sua titularidade são registrados e em seu CPF e ficam custodiadas pela CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia).

Dessa forma, mesmo que a corretora ou banco pelo qual você tenha investido quebre, você não perderá a titularidade dos títulos que comprou, visto que estão vinculados ao CPF e não em posse da corretora.


3. Risco de liquidez


A liquidez está relacionada com a possibilidade de se desfazer do seu investimento, transformando-o em dinheiro.

Ou seja, a partir do momento em que você aplica uma determinada quantia, aquela aplicação "se transforma" em um título, assim, para "transformar" o título em dinheiro novamente, normalmente é necessário solicitar o resgate da aplicação (como comumente ocorre na renda fixa) ou vender o título em sua posse.

Nesse último caso, é necessário que exista um comprador interessado em seu título na "outra ponta", caso contrário você não conseguirá liquidar o investimento.

Quanto mais fácil for o processo de transformar o seu ativo em dinheiro, maior a liquidez.

Nesse aspecto, considera-se como facilidade as possibilidades de não perder dinheiro (seja na rentabilidade ou quantia aplicada) e de não precisar esperar muito para ter o dinheiro "em mãos".

Dessa forma, quanto menor a liquidez, maior é o risco, visto que você fica mais exposta a crises e oscilações por não poder mover o seu dinheiro para outra aplicação.

No entanto, caso você peça o resgate do título, deverá aguardar um determinado período para receber o dinheiro, podendo até ter a rentabilidade prejudicada pelo resgate.

Normalmente esse prazo para receber o dinheiro na conta é de 1 (D+1) a 3 dias úteis (D+3).

Dessa maneira, mesmo que você precise manter o investimento por anos para obter a rentabilidade desejada, normalmente você pode solicitar o resgate a qualquer momento receber o dinheiro em poucos dias.

Dentro desse tipo de risco, cabe ressaltar, ainda, a necessidade de se atentar a possíveis prazos de carência, que impedem que você movimente o dinheiro (sem ter prejuízos) durante um período determinado.

Alguns investimentos exigem um prazo um pouco maior para que você possa solicitar o resgate do dinheiro aplicado, como alguns fundos que só permitem a movimentação da quantia aplicada após 90 dias, por exemplo. Para resgatar antes disso, você pode ter parte do valor retido como "penalidade".

Adicionalmente, é interessante se atentar também aos prazos de vencimento das aplicações.

Nos títulos de renda fixa, por exemplo, normalmente a rentabilidade prometida pelo investimento só pode ser garantida desde que o dinheiro fique aplicado até o término do prazo.

Para se proteger desse risco, basta fazer as suas aplicações de maneira consciente, optando por aplicar sempre um dinheiro que você não precisa e investimento em aplicações cujos prazos estejam alinhados com os seus objetivos/necessidades.

Além disso, novamente é valida a dica de ter uma reserva de emergência para que você não tenha a necessidade de resgatar seus investimentos em momentos inesperados e, para o caso de investimentos que necessitem de um comprador disponível para conseguir se desfazer do título, torna-se ideal escolher um mercado ativo e sempre com bastante negociações ocorrendo diariamente.


4. Risco Operacional


O risco operacional em investimentos está relacionado à possibilidade ocorrerem falhas ou fraudes na operacionalização do investimento, afetando a performance da aplicação.

Esse risco pode advir de falha humana, em equipamentos ou mesmo a má gestão dos recursos aplicados pelo investidor.

Esse risco pode ser maior principalmente quando a rentabilidade depende de um gestor, como é o caso de ações e fundos imobiliários, por exemplo, cuja performance depende de ações estratégicas de uma pessoa responsável pelo desempenho e continuidade da empresa/fundo.

Dessa forma, não é possível prever o futuro e acompanhar de perto todos os processos e pessoas envolvidas, mas é possível se proteger desse risco analisando dados históricos sobre a aplicação, verificando o máximo de dados possíveis sobre a performance aplicação ao longo do tempo.

É possível analisar o histórico de performance de um fundo, por exemplo; os indicadores e notícias da empresa (no caso de ações).

É possível também "consultar" a satisfação de outras pessoas com um título, como no caso do aplicativo/site InfoMoney em que as pessoas têm a liberdade fazer comentários na tela de dados sobre o ativo.



Considerações Finais

Uma das coisas que mais afasta as pessoas de começar a investir é o medo: medo de perder dinheiro, medo de perder "tudo" investindo, medo de não ganhar dinheiro e etc.

Apesar disso, correr riscos é muito comum e inerente a praticamente tudo o que fazemos na vida, assim, esse não deve ser o seu maior impedimento para não investir.

Assim, é imprescindível compreender quais são os riscos envolvimentos nos investimentos, sejam eles de renda fixa e variável, e como se proteger deles.

Os principais riscos são:

risco de mercado

risco de crédito

risco de liquidez

risco operacional


E é possível se proteger de todos eles, principalmente buscando informação.

Procure conhecer o máximo possível sobre a situação do país em que está aplicando, sobre a corretora (mesmo que seja a do seu banco) e sobre o próprio título.

Se informe do desempenho passado e também das perspectivas futuras e diminua exponencialmente as suas chances de perder dinheiro.

É claro que os riscos não poderão ser eliminados em sua totalidade mas não é atoa que vários investidores (como Warren Buffet e Luis Bacci) se provaram no tempo, mantendo o seu patrimônio em aplicações financeiras durante muitos anos.

Isso prova que ter uma estratégia para se proteger dos riscos realmente funciona.

Ter receios sobre onde colocar o seu dinheiro é perfeitamente normal e correto.

Eu mesma achava os investimentos arriscados mas, em vez de cruzar os braços e continuar perdendo oportunidades, resolvi buscar o máximo de informação possível e, quando me senti segura, fiz uma pequena aplicação para sentir na prática como isso funciona.

Assim, o ideal é sempre buscar informação e ter autoconhecimento.

Espero muito que essas dicas tenham ajudado você a se sentir mais segura para começar a investir e buscar aprender mais. Me conta nos comentários se você já investe ou se ainda tem medo!


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LEMBRETE: ESTE ARTIGO NÃO É UMA INDICAÇÃO. CONTEÚDO MERAMENTE INFORMATIVO.
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REFERÊNCIAS

Conceitos Básicos - Como Investir: Riscos dos Investimentos. Seu Guia de Investimentos.

O que é risco nos investimentos?. Dicionário Financeiro.


Os 5 principais riscos dos investimentos e como evitá-los. InfoMoney.

Riscos de investimento: entenda quais são e como se proteger. Como Investir.







2 comentários:

  1. Olá Lais!

    Ótimo conteúdo, melhor que muitos posts do pessoal da finansfera!

    Entretanto gostaria de fazer uma pequena ressalva sobre o risco da liquidez.

    A existência de um "comprador" ou um a gente que opere contra a sua posição no título não é necessariamente obrigatório em alguns tipos de operações.

    A liquidez do mercado é controlada do Bacen e geralmente existem um número N de variáveis que a controlam, por isso, é um equivoco dizer que para uma pessoa vencer uma operação no título outra precisa perder.

    As vezes o Bacen segura as pontas criando dinheiro do nada, tem um post bem legal no IR finanças que eu comento sobre impressão de dinheiro.


    Abraço, novamente obrigado pelo conteúdo excelente.

    Math, do Blog IR finanças.

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    1. Olá, Math! Obrigada pelo seu comentário e elogio!

      Está certíssimo e novamente obrigada por complementar o conteúdo.

      O artigo tem o intuito de clarear essas questões para iniciantes e por isso não é muito técnico.

      Entretanto, ressalto também que o parágrafo em que digo sobre "existir alguém na outra ponta" faz referência diretamente à necessidade de vender um título para resgatar a quantia aplicada. Não foi uma generalização, compreende?

      Acho que por ter juntado as duas informações (solicitar resgate / vender o título) ficou um pouco confuso, mas agradeço muito pelo feedback pois é importantíssimo para que eu possa melhorar o conteúdo.

      Um abraço!

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